6 de fevereiro de 2010

Komen on écri degolas?

Cá entre nós, essa tal de língua francesa é muito complicada. Não que eu só tenha percebido isso agora, claro, notei desde a primeira vez em que fomos apresentadas. Mas hoje ela se superou. Apesar de eu já estar acostumada com sua escrita de milhões de letras não-faladas, algumas palavras a gente pensa que seriam mais tranquilas, já que designam algo muito usual pra ter tanta frescura. Como a palavra pra "nojento", por exemplo. Ledo engano.
Coisas assim a gente aprende logo na primeira semana em que está num lugar com outra língua. Ouvi meus irmãos hospedeiros dizendo que algo era "degolas" e fazendo a careta correspondente, e pronto, também imaginei que era assim que se escrevia, a resolução óbvia. Mas ontem meu mundo caiu. Eu estava lá, lendo um livro em francês (ênfase no pouco-caso com que digo que estava lendo em francês usado justamente para acentuar o fato de que estou me achando porque consegui ler em francês), aí vejo uma palavra simpática, dégueulasse. O que não era muito fora do usual, já que cada página do meu querido livro em francês tinha algo estilo "que por... caria é essa?!" pra não deixar meu dicionário com ciúmes. E então eu descobri que dégueulasse era degolas. DÉGUEULASSE. Eu já achava que a outra palavra pra nojento, dégoûtant, era fresca demais e meu querido degolas era algo mais fácil, simples, rápido e objetivo para se expressar. Mas não. Bom, o que me conforta é que quem diz essa palavra tem de ser fresco, então a escrita combinaria com a pessoa. De qualquer forma, entrei no trem pra casa frustrada.
Chegando no lar-doce-lar, fui procurar meu irmão hospedeiro, e "Floriaaaaan, como que se escreve nojento?". E ele me vem com a desculpa de que isso faz parte das palavras que a gente não escreve. HAHA! Também não sabeee! Então eu desabafei todas as minhas recentes decepções com a lingua francesa, e ele... adivinha? Deu razão a ela, não a mim. Claro. Porque não falamos os "s" sozinhos, e da forma como eu imaginei ficaria "degola"; e outra, não é "go", é "gueu", uma ligeira diferença entre um O e um E entalado na garganta que eu nunca consigo fazer direito. Que máximo, não?
E é claro que essa não é a única palavra frustante do francês. Como exemplo maior, aquela para "feliz", heureux. Não poderia ter combinação melhor: o querido R impossível entre dois EU que, nesse caso, são o tal E entalado na garganta. Lembrando que o X e o H estão lá só de enfeite, como sempre. Irado, não? Com uma palavra dessas, a gente desiste de ser feliz só de pensar na idéia de ter que pronunciar isso.
E depois ainda dizem que a língua francesa é a língua do amor e não sei o quê. Só se for pra ter ainda mais amor à propria língua!

21 de janeiro de 2010

Pão de queijo com gruyère

Cinq mois en Suisse. Si je pouvais, je resterais ici toute ma vie et aussi je rentrerais maintenant.
J'ouvrirais la fenêtre tous les matins et regarderais le jardin blanc qui s'est formé pendant la nuit et, à 6h du soir, j'irais à la plage pour longer la mer.
Je parlerais en français et on me répondrait en portugais (du Brésil, s'il vous plaît!). Tous les Brésiliens parleraient une langue étrangère et tous les Suisses se comprendraient.
Je payerais Fr 2.- pour un café et R$ 2,00 pour une plaque de chocolat qui a vraiment le goût du cacao. À la Coop les prix seraient comme au Brésil et au Carone on trouverait du yogourt suisse et de la bière belge.
Je ferais la fête comme au Brésil avec la sécurité suisse. On chanterait en français autour d'une guitare en mangeant de la viande et en buvant de l'Abricotine.
Je traverserais le Brésil en train ou sur les autoroutes (et les toilettes seraient comme les toilettes suisses). On trouverait de vraies montagnes au Brésil et de vraies plages en Suisse.
Je mangerais du pão de queijo au Gruyère le matin, du arroz et feijão à midi et de la raclette le soir. Et on ne boirait que du lait suisse ou du Guaraná.
Je vivrais avec les saisons suisses mais dans l'ordre brésilien. En été on serait à Guarapari avec 30ºC et en hiver il y aurait de la neige à Vitória.
Tout marcherait bien à la manière suisse mais les personnes seraient joyeuses pour rien comme au Brésil.
E eu diria saudade em francês.

8 de dezembro de 2009

Don't look back in anger

Uma das coisas estranhas num intercâmbio é como o nosso dia pode mudar com situações que passariam quase despercebidas numa rotina normal. Quando que, no Brasil, conversar na escola com alguém que parecia realmente interessado no que eu tinha a dizer poderia praticamente curar a gripe que estava chegando, tirar meu frio, passar a dor de cabeça, acabar com o sono, me fazer prestar atenção na aula, levantar o astral e ainda me dar vontade de passear pela cidade?!
Tristeza, alegria, amor e todos os demais sentimentos humanos têm por base o mesmo princípio: se nos deixamos levar, chegamos a um ápice no qual mente e corpo invertem seus papéis. O corpo começa a sentir fisicamente as emoções, a mente passa a estar nos sentidos. E é por isso que esses estados de espírito fascinam: pelo fato de nos proporcionarem uma liberdade rara de se ter, pois tanto mente quanto corpo não estão mais sob o nosso domínio.
Talvez o que a tal da maconha queira é imitar isso, exacerbar as emoções a tal ponto sem precisar viver para consegui-las. Pois já me encontrei em cada estado que me perguntava se não havia fumado alguma coisa sem saber...
E hoje, foi a vez de uma "viagem" alegre. Saí da escola e não andava, flutuava. O sol brilhando, nem lembrava a chuva de ontem. Aquele ventinho frio no rosto, a cidade que eu por um mês me havia esquecido de como era bonita. O país que eu aprendi a amar, a nova pessoa que eu havia me tornado. E, nos fones de ouvido, um indivíduo cantava "so Sally can wait" a plenos pulmões. Bom, a Sally vai esperar, mas eu não. Esse ano vai dar certo, e sou eu que vou fazer isso. O francês começa realmente a fazer sentido, assim como a matemática e os suíços. Não há nada que me impeça agora.

28 de novembro de 2009

Aquarela do Brasil

Hoje, se não fosse o francês, eu poderia jurar que estava de volta ao Brasil! Um dia lindo, o sol brilhando de uma forma que eu não via há umas boas semanas (meses, talvez? não, não exageremos...). A janela do quarto, sempre aberta para a luz entrar, finalmente atingia seu objetivo. Chegava a ser esquisito, eram sensações que eu já havia esquecido - por exemplo, sair do banho e não precisar correr pra colocar a roupa porque não tava o maior frio. E, ainda por cima, o rádio tocava aquela música de Tropa de Elite, parapapapa. Não, não é possíveeeel! Até português falaram comigo - mas o que meus irmãozinhos sabem falar não vai além do "cala a boca", " 'tás com medo?!" ou palavrão, então a conversa não rende muito, sabe como é.
Saí de casa, meio friozinho - ah, Vitória no inverno, por que não? A Suíça resolveu ser brasileira hoje. Pensei que, por o dia estar lindo, calorzinho até com o sol, deveria estar uns 15 graus. Mas bem, agora eu entendo porque minha família suíça brinca que meu sangue não é tropical e sim viking. Tava 8.

27 de novembro de 2009

Revoltei-me conta meu cabelo, cortei-o quase todo. E ele, coitado, ficou meio desnorteado. Sem saber qual direção seguir, tenta todas ao mesmo tempo.

19 de novembro de 2009

Dois mil e doze

O fim do mundo é a melhor coisa que poderia acontecer agora. Pensa comigo: se dizem que só temos mais 3 anos, diremos que temos de aproveitar o máximo que pudermos! Eu saí da sala do cinema empolgada. Como vou morrer mesmo, vou fazer tudo o que sempre quis fazer. Já tô até elaborando minha lista:
Em primeiro lugar, vou estudar muito. Vou fazer a faculdade de filosofia que eu morro de vontade, já que não preciso me preocupar mais com o mercado de trabalho depois dos estudos. Porque ele não vai existir mesmo. Nem mercado, nem trabalho, nem dinheiro, nem eu. E se eu deixar pra estudar filosofia como segunda faculdade, vou acabar não estudando nunca.
Nas férias, vou rodar o mundo. Rússia, China, Inglaterra, Japão, México, Índia, Groelândia, Nigéria, Israel, Argentina, Iraque, Grécia, Marrocos, Egito, Islândia, Espanha e o que mais der pra conhecer nos entornos. Vou também conhecer melhor o meu próprio país: ir à sua capital, passar um tempo numa casa na árvore na Amazônia, fazer escalada na Chapada Diamantina e depois ver as cataratas da Foz do Iguaçu.
Vou começar a aprender russo, grego e japonês. Começar só, porque infelizmente em 3 anos não dá pra aprender direito - o único ponto desfavorável no fim do mundo.
Vou beber de todas a coisas alcóolicas estranhas que encontrar e aprender a viajar sem sair do lugar de todas as maneiras possíveis. Com os livros, mãe, é claro.
Vou atravessar as ruas correndo no sinal vermelho, vou tomar banho de chuva, vou sair pelada no inverno e não vou passar filtro solar no verão.
Vou abraçar alguém quando estiver precisando, vou gritar palavrões em português quando estiver com saudades do Brasil e em outras linguas quando estiver de volta.
Vou comer grilos e vou fazer o tour gatronômico mais variado que puder.
Vou esquiar, pular de para quedas, fazer windsurf e aprender a pilotar um avião.
Vou tentar fazer pelo menos um amigo em cada continente. E aqueles que forem importantes não terão dúvidas disso.
Vou ter quase todas as experiências de uma vida em três anos. E, quando o mundo não acabar em 2012, é porque Deus não é suíço e tá um pouco atrasado.

10 de novembro de 2009

"Personne ne lui résiste au fond à la musique. On n'a rien à faire avec son coeur, on le donne volontiers. Faut entendre au fond de toutes les musiques l'air sans notes, fait pour nous, l'air de la Mort."
Louis-Ferdinand Céline, em "Voyage au bout de la nuit".

...ou algo que eu li na aula de francês, entendi, achei lindo e me achei o máximo! :D