O fim do mundo é a melhor coisa que poderia acontecer agora. Pensa comigo: se dizem que só temos mais 3 anos, diremos que temos de aproveitar o máximo que pudermos! Eu saí da sala do cinema empolgada. Como vou morrer mesmo, vou fazer tudo o que sempre quis fazer. Já tô até elaborando minha lista:
Em primeiro lugar, vou estudar muito. Vou fazer a faculdade de filosofia que eu morro de vontade, já que não preciso me preocupar mais com o mercado de trabalho depois dos estudos. Porque ele não vai existir mesmo. Nem mercado, nem trabalho, nem dinheiro, nem eu. E se eu deixar pra estudar filosofia como segunda faculdade, vou acabar não estudando nunca.
Nas férias, vou rodar o mundo. Rússia, China, Inglaterra, Japão, México, Índia, Groelândia, Nigéria, Israel, Argentina, Iraque, Grécia, Marrocos, Egito, Islândia, Espanha e o que mais der pra conhecer nos entornos. Vou também conhecer melhor o meu próprio país: ir à sua capital, passar um tempo numa casa na árvore na Amazônia, fazer escalada na Chapada Diamantina e depois ver as cataratas da Foz do Iguaçu.
Vou começar a aprender russo, grego e japonês. Começar só, porque infelizmente em 3 anos não dá pra aprender direito - o único ponto desfavorável no fim do mundo.
Vou beber de todas a coisas alcóolicas estranhas que encontrar e aprender a viajar sem sair do lugar de todas as maneiras possíveis. Com os livros, mãe, é claro.
Vou atravessar as ruas correndo no sinal vermelho, vou tomar banho de chuva, vou sair pelada no inverno e não vou passar filtro solar no verão.
Vou abraçar alguém quando estiver precisando, vou gritar palavrões em português quando estiver com saudades do Brasil e em outras linguas quando estiver de volta.
Vou comer grilos e vou fazer o tour gatronômico mais variado que puder.
Vou esquiar, pular de para quedas, fazer windsurf e aprender a pilotar um avião.
Vou tentar fazer pelo menos um amigo em cada continente. E aqueles que forem importantes não terão dúvidas disso.
Vou ter quase todas as experiências de uma vida em três anos. E, quando o mundo não acabar em 2012, é porque Deus não é suíço e tá um pouco atrasado.